Os Cristãos e a Esquerda Imprimir
Qua, 11 de Julho de 2018 20:54


Em meio a uma grande diversidade chamada de Cristãos podemos afirmar que um dos divisores de águas, pelo exemplo do próprio Jesus, é o compromisso com aqueles que têm fome e sede, estão nus, doentes e presos (Mateus 25,31-46), com o próximo que pode mesmo ser um inimigo/rival étnico e religioso (Lc 10.25-37), com a mulher de outra fé e com muitos casamentos e relações (Jo 4.4-26). Jesus Cristo nos ensina que “toda a Lei e os profetas” (ou seja, toda a Bíblia de seu tempo) dependem de dois mandamentos: amar a Deus e ao próximo como a si mesmo (Mateus 22, 34-40). Portanto, todas as concepções políticas e ideológicas dos Cristãos devem se submeter também a esses dois mandamentos. E historicamente os cristãos, coletiva e individualmente, têm se alinhado com diferentes concepções políticas e ideológicas. Como, então, discernir, em nosso tempo, as formas de alinhamento legítimas, desde uma perspectiva centrada no exemplo de Jesus e na herança bíblica e histórica judaico-cristã?

 

 

O EPJ tem um compromisso claro, refletido e convicto, de alinhamento com uma variedade de posições que chamamos de esquerda. Considerando as recentes formas de polarização ideológica no Brasil (e em outras partes), com intensa participação de setores evangélicos, que têm produzido falsas acusações contra a legitimidade de aproximação entre cristãos e esquerda (em sentido amplo), entendemos ser necessário refletir sobre o tema “Cristãos e a Esquerda”, e reafirmar nossos compromissos.

 

O que é ser de Esquerda?

 

No espectro político, a esquerda se caracteriza classicamente pela defesa da justiça como implicando igualdade social e da liberdade para todos(as) e, nas últimas décadas, a afirmação da pluralidade social, em todas as suas expressões não discriminatórias, não impositivas e não contraditórias com o primado da igualdade, bem como da justiça ambiental. Normalmente, essa defesa envolve uma preocupação com os cidadãos e cidadãs que são considerados(as) em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas, particularmente quando elas envolvem hierarquias e ordenamentos sociais opressivos e exploradores, sancionados por argumentos baseados na “natureza”, no “costume” ou na “vontade de Deus”.

 

Os termos "direita" e "esquerda" foram criados durante a Revolução Francesa (1789–1799), e referiam-se ao lugar onde políticos se sentavam no parlamento francês. O uso do termo "esquerda" tornou-se mais proeminente após a restauração da monarquia francesa em 1815 e foi aplicado aos "Independentes". Mais tarde, o termo foi aplicado a uma série de movimentos sociais, especialmente o republicanismo, o socialismo, o comunismo e o anarquismo. Atualmente, o termo "esquerda" tem sido usado para descrever uma vasta gama de partidos e movimentos.

 

A esquerda não se restringe a estruturas partidárias, mas sempre teve, inclusive antes do surgimento dos partidos políticos modernos, um componente associativo altamente diverso, que inclui entidades representativas de trabalhadores ou de minorias (étnicas, de gênero, linguísticas, religiosas, etc.), entidades culturais e ambientalistas, entidades organizadas tematicamente (paz, juventude e idosos, educação, desenvolvimento, etc.). Grupos informais, associações, movimentos sociais e redes são algumas das formas de existência dessas iniciativas não-partidárias e não-governamentais, extremamente variadas em suas agendas, valores e formas de atuação. Uma marca histórica disso que chamamos de esquerda é que suas origens e desenvolvimento sempre envolveram iniciativas e motivações de ativistas cristãos, na Europa, nas Américas e em outras partes do mundo nas quais os cristãos são minorias quase invisíveis, perseguidas ou de pequena força numérica ou política.

 

O legado da esquerda é vasto e indispensável à compreensão dos últimos três séculos na história mundial, mesmo quando se tratou de ações minoritárias. É também um legado que tem suas ambiguidades e seus fracassos, como tudo o que é humano e histórico. Há uma permanente autocrítica no interior da esquerda, que por vezes é vista como divisão interna e nem sempre bem-recebida, mas que tem sido um fator importantíssimo de correção de excessos, violências e disputas de poder no interior deste campo. Estamos conscientes deste legado, com seu bem e seu mal, e sabemos distinguir o que nos aproxima e o que nos distancia dele, à luz de uma dupla inspiração (auto)crítica que herdamos abertamente do profetismo hebraico e do princípio protestante.

 

O que é ser de Direita?

 

No espectro político, a direita descreve uma visão ou posição específica que aceita a hierarquia social ou desigualdade social como inevitável, natural, normal ou desejável. Esta postura política geralmente justifica esta posição com base no direito natural e na tradição. Também é uma marca da direita, historicamente, ter uma postura reativa a mudanças sociais que invertem ou desfazem hierarquias e desigualdades, e mesmo uma defesa nostálgica de épocas que supostamente teriam sido “ordeiras” e harmoniosas.

 

O termo "direita" tem sido usado para se referir a diferentes posições políticas ao longo da história. A “direita” original na França foi formada como uma reação contra a esquerda e era composta por políticos que defendiam a hierarquia, a tradição, a monarquia e o clericalismo. A utilização da expressão la droite (“a direita”) tornou-se proeminente na França após a restauração da monarquia, em 1815, quando la droite foi aplicada para descrever a ultramonarquia. Em países de língua inglesa, o termo não foi utilizado até o século XX, quando passou a descrever discretamente a posição que políticos e defendiam no plano de governo que apresentavam.

 

É na dupla perspectiva da ação social e cultural de base, não-partidária e não-unificada por um único programa ou valores, bem como dos planos partidários de governo, que precisamos analisar quais as diferenças entre Esquerda e Direita na realidade atual no Brasil e avaliar como cristãos o aporte e a justeza de cada campo. Diante do sistemático falseamento do que significou historicamente e do que significa a esquerda, por parte de pessoas e grupos que se afirmam como os porta-vozes autorizados da ortodoxia cristã, queremos insistir, neste exercício, na sinceridade de propósitos, na adesão refletida (em bases bíblicas, teológicas e históricas) às posições de esquerda, e na abertura ao diálogo franco mas firme com nossos(as) irmãos(ãs) de fé que se consideram de direita ou agem de acordo com as agendas e práticas desse campo.

 

História da Esquerda no Mundo

 

Comunismo, Marxismo, Socialismo, Revolução Russa, Revolução Cubana, Bolivarianismo da Venezuela, são exemplos de palavras que têm sido usadas por grupos de direita com um significado negativo como sinônimos de esquerda. Isto é um equívoco grande e acaba causando muita confusão. Como tudo na vida, a esquerda na história teve seus pontos positivos e negativos. Sem dúvidas é muito importante estudar a história da esquerda e da direita e aprender com os acertos e erros. Enfatizamos que não haverá uma receita de bolo para a nossa caminhada aqui no Brasil. Não há como pegar uma experiência que aconteceu em um determinado contexto histórico, geográfico e cultural, e replicar para a nossa realidade aqui no Brasil. O uso desonesto de palavras desprovida de um conhecimento mínimo criando uma generalização negativa é uma tentativa de esconder os aspectos positivos que existem na história de determinados países, querendo evitar que exemplos de ações que promoveram mais justiça social sejam seguidos. Não devemos cair nessas estigmatizações, mas aprofundar no conhecimento da história de forma crítica e aprender com seus erros e acertos.

 

Cristãos, Esquerda, Marxismo, Ateísmo, Autoritarismo.

 

Outra grande confusão que grupos de direita tenta criar para construir uma imagem negativa da Esquerda é uma mistura entre o Cristianismo, o Marxismo em uma dimensão política, econômica e cultural, também como uma forma de pensar, ligada a um ateísmo dogmático. Ou seja, ser de esquerda significaria ser marxista, ateu e autoritário. Colocando ainda no pacote a acusação da defesa da violenta com aqueles que pensam de forma diferente. Portanto, seria contraditório um Cristão Marxista.

 

Primeiro é preciso entender que infelizmente nem toda esquerda estudou minimamente sobre o Marxismo, talvez porque não seja uma tarefa pequena. A principal obra de Marx é O Capital (em alemão: Das Kapital) é um conjunto de livros (sendo o primeiro de 1867) de Karl Marx que constituem uma análise do capitalismo (crítica da economia política). Muitos consideram esta obra o marco do pensamento socialista marxista. Nela existem muitos conceitos econômicos complexos, como mais valia, capital constante e capital variável, uma análise sobre o salário; ou sobre a acumulação primitiva. Resumindo, sobre todos os aspectos do modo de produção capitalista, incluindo também uma crítica sobre a teoria do valor-trabalho de Adam Smith e de outros assuntos dos economistas clássicos. Nesse aspecto central, que é o aspecto econômico, podemos afirmar que está perfeitamente coerente com o compromisso Cristão de uma economia voltada para todos.

 

Sobre a questão do Ateísmo, a perseguição religiosa na antiga União Soviética gerou uma preocupação, que ainda se sustenta, especialmente sobre os mais idosos. Entretanto, o princípio da Liberdade Religiosa é um elemento consolidado na esquerda. O ateísmo dogmático não foi um elemento tirado do pensamento Marxista. A frase "A religião é o ópio do povo" está na Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, de Marx. Todavia não foi Marx o primeiro a utilizar tal analogia, embora a autoria lhe seja frequentemente atribuída. Ele, de fato, sintetizou uma ideia que estava presente em autores do século XVIII. Nem esse texto e nem qualquer outro, justifica a ligação das ideias de Marx e a perseguição religiosa na antiga União Soviética.

 

Marx, afirmava que “a luta de classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado”. Mas ditadura do proletariado não era para Marx, um regime totalitário e burocrático de partido único, como o que existiu na antiga União Soviética. Para Marx, ditadura do proletariado era uma ditadura de classe, ou seja, o Estado operário existente em uma sociedade pós-capitalista, onde o proletariado havia se tornado a classe dominante. Essa “ditadura” deveria se apresentar sob a forma de governo representativo, como ocorre no capitalismo, que segundo Marx é uma “ditadura” da burguesia, garantindo a mais ampla liberdade para os trabalhadores. Hoje a defesa da democracia é uma das bandeiras básicas da esquerda no mundo.

 

Como Cristãos comprometidos com a justiça para todos, não podemos desprezar a valiosa contribuição de Marx. O debate sobre o que existe nas obras escritas por Marx que seja incoerente com o Cristianismo é um debate interessante, mas que precisa ser feito com profundidade. Uma estagmatização desonesta traz um prejuízo grande caso consiga afastar pessoas do conhecimento das contribuições positivas trazidas por Marx.

 

A questão LGBT

 

Primeiro é preciso deixar claro que, ao contrário do que muitos dizem, a questão LGBT não é uma questão de direita e esquerda. Há militantes LGBT de esquerda e de direita. Para surpresa de muitos, por exemplo, o programa LGBT do PT é semelhante ao do PSDB.

 

A direita evangélica utiliza as questões ligadas à sexualidade para confundir dizendo, por exemplo, que a esquerda quer “proibir a pregação de que a homossexualidade é pecado” ou “obrigar padres e pastores a celebrarem casamentos homoafetivos nas igrejas”. Isto não é verdade. Os grupos que defendem as causas LGBT exigem do Estado laico a garantia da liberdade religiosa e dos direitos civis, inclusive os sexuais.

 

Ainda que alguns cristãos (não todos) sejam contrários à orientação sexual diversa, o respeito deve sempre existir.  O problema ocorre quando se misturam os papéis entre Igreja e Estado. Enquanto a igreja tem a sua liberdade religiosa, garantida por lei, o Estado, sendo laico, deve garantir esta liberdade religiosa bem como os direitos civis das pessoas que não confessam a mesma fé ou até não confessam fé alguma. E, sim, o Estado é obrigado a interferir quando há violência de um grupo contra o outro, quer seja simbólica ou real.

 

Outro ponto que necessita de esclarecimento é a acusação de que a esquerda defende que o Estado promova a “normalização da prática LGBT” contra a família tradicional. De fato, existe na sociedade um conflito entre o movimento LGBT e pessoas conservadoras em relação aos costumes ligados a sexualidade. Repetindo, há militantes LGBT de esquerda e de direita e pessoas conservadoras nos costumes de direita e esquerda. Entendemos que o Estado deve garantir o direito de todos ter família, independente de qual configuração ela (a família) se apresente. A Atuação do Estado deve ser pautada no respeito as questões de ordem sexual, moral e religiosa, como questões de foro íntimo.

 

O desafio é fazer a verdade sobre tais questões vir à tona e incentivar um compromisso político com aquele que tem fome e sede de justiça.

 

Para saber mais: Alguns posicionamentos do EPJ no debate atual sobre homossexualidade - http://www.epj.org.br/principal/artigos-e-textos/documentos-epj/73-alguns-posicionamentos-do-epj-no-debate-atual-sobre-homossexualidade


A questão do Aborto

 

Outra forma de confundir os evangélicos da parte de alguns grupos de direita é a acusação de que a Esquerda defende o aborto. Primeiro é preciso dizer que não existem aqueles que são a favor do aborto. Nenhum movimento de mulheres ou de qualquer organização social, ninguém em sã consciência defende o aborto. Nenhuma mulher deseja engravidar para ter o prazer de fazer um aborto. A acusação da defesa do aborto é falsa.

 

A polêmica acontece quando se debate a descriminalização do aborto. Hoje o Código Penal considera o aborto um crime, exceto se não houver outro meio de salvar a vida da gestante ou no caso de gravidez resultante de estupro. Na prática, entretanto, existe o risco de morte para parte das mulheres que decidem sobre o próprio corpo e terminam por abortar. Nem a possibilidade de prisão ou morte tem sido suficiente contra o aborto. Infelizmente tem continuado a ocorrer causando a perda de muitas vidas.

 

É preciso saber separar a defesa do papel do Estado e do papel pessoal, pastoral e da Igreja. Nosso objetivo aqui é refletir apenas sobre que papel do Estado devemos defender a partir da nossa Fé Cristã, evidentemente considerando a democracia, o Estado laico, a liberdade religiosa e de não ter religião. Somos formados por evangélicos e protestantes de várias denominações e não é nosso objetivo refletir sobre questões internas de cada igreja.

 

Podemos dar como um exemplo para mostrar a diferença do papel da igreja e do papel do Estado, com o aborto da vítima do estupro. Nesse caso a legislação permite e, portanto, cabe à mulher decidir se levará ou não a gravidez forçada adiante. Essa possibilidade não vincula em nada a orientação pessoal, pastoral ou da igreja. Define o papel do poder de polícia e dos serviços de saúde do Estado.

 

A visão sobre a criminalização do aborto se diferencia no campo prático do teórico. O que responderia, por exemplo, um pastor delegado, ao ser perguntado se mandaria prender a filha do diácono da igreja dele que tivesse abortado? Apesar da pena de prisão, a conivência prática da sociedade com o aborto, envolve religiosos conservadores e liberais.

 

Um caso que ocorreu em Brasília é emblemático. Uma estudante da UnB (Universidade Federal de Brasília), engravidou, pediu ajuda a um parente, foi fazer o aborto, faleceu e só então a mãe ficou sabendo que a filha havia engravidado. Engana-se quem pensar que um caso como esse não pode acontecer com evangélicas, por exemplo, mostrando que mesmo os pais que criam suas filhas de forma conservadora, não estão livres da consequente morte da mãe ou o seu tratamento como criminosa, entre outros aspectos relacionados à complexidade deste tema

 

Um elemento importante na análise da criminalização do aborto foi apresentado pelo Instituto Guttmacher. O relatório mostra que em 20 anos, entre 1990/1994 e 2010/2014, a taxa anual de abortos nas regiões desenvolvidas caiu significativamente, principalmente em países ricos onde a prática é legalizada – passou de 46 para 27 abortos para cada mil mulheres em idade reprodutiva. A pergunta que esse dado nos deixa é se somos a favor da vida e contra o aborto e a legalização tem reduzido o número de abortos, tal redução não seria suficiente para a nossa defesa da descriminalização?

 

Nesse debate é preciso fundamentalmente vencer a cultura machista e defender a dignidade da mulher que deve ter direito sobre o seu próprio corpo. Desmascaremos a mentira de que a esquerda, o movimento de mulheres, ou alguém em sã consciência, defende o aborto. No mundo ideal de todos nós, o aborto é algo que não deve existir, mas o mundo real é complexo e deve ser enfrentado com tal. O debate sobre o tema precisa ser devidamente aprofundado antes da defesa de uma posição, principalmente para aqueles que têm filhas e netas.

 

Para saber mais: Número de abortos cai no mundo, puxado por países desenvolvidos com legalização, https://g1.globo.com/bemestar/noticia/numero-de-abortos-cai-no-mundo-puxado-por-paises-desenvolvidos-com-legalizacao.ghtml (Acesso em 25/06/2018)

 

Relatório completo em inglês do Instituto Guttmacher. https://www.guttmacher.org/sites/default/files/report_pdf/abortion-worldwide-2017.pdf


Composição partidária hoje no Brasil

 

Hoje existem 35 partidos registrados no Brasil. Na Câmara dos Deputados são 25 partidos com representação. Os partidos de esquerda são o PT, PSOL, PCdoB, parte do PDT e PSB. Os partidos que têm defendido um programa de direita mais agressivamente tem sido o PSDB, DEM e PPS.

 

Os demais são chamados de “centrão”. Normalmente apoiam quem está no poder e desejam majoritariamente de beneficiar pessoalmente do Estado e não a defesa de um programa de governo muito menos um projeto de poder.

 

As diferenças de projeto de governo podem ser observadas comparando os períodos do PSDB na Presidência da República (1994-2002), como o período presidido pelo PT (2003-2015). O mesmo programa do PSDB voltou ao poder agora depois do golpe contra a Presidenta Dilma. Os números de desemprego, fome, investimento na saúde, educação e programas sociais foram muito melhores durante o período presidido pelo PT.

 

O desafio é exatamente o de mostrar que a Esquerda defende um programa de governo voltado para os interesses daquele que têm fome e sede, enquanto a direita um programa de governo que tornam os ricos mais ricos e os pobres condenados à morte.

 

Não é coerente se dizer evangélicos e votar e defender políticos que defendem um programa de governo antipobre, portanto anticristão.

 

O nazismo era um movimento de esquerda ou de direita?

 

A discussão sobre se o movimento nazista alemão - cujo governo matou milhões de pessoas e levou à Segunda Guerra Mundial - teria as mesmas origens do marxismo é objeto de debate nas redes sociais, com a crescente polarização do debate político no Brasil.

 

Mas historiadores esclarecem o que dizem ser uma "confusão de conceitos" que alimenta a discussão - e explicam que o movimento se apresentava como uma "terceira via".

 

"Tanto o nazismo alemão quanto o fascismo italiano surgem após a Primeira Guerra Mundial, contra o socialismo marxista - que tinha sido vitorioso na Rússia na revolução de outubro de 1917 -, mas também contra o capitalismo liberal que existia na época. É por isso que existe essa confusão", afirma Denise Rollemberg, professora de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF).

 

A ideia de uma "revolução social para a Alemanha" deu origem ao Partido Nacional-Socialista alemão, em 1919. O "socialista" no nome é um dos principais argumentos usados nos debates de internet que falam no nazismo como um movimento de esquerda, mas historiadores discordam.

 

"Me parece que isso é uma grande ignorância da História e de como as coisas aconteceram", declarou Izidoro Blikstein, professor de Linguística e Semiótica da USP e especialista em análise do discurso nazista e totalitário.

 

"O que é fundamental aí é o termo 'nacional', não o termo 'socialista'. Essa é a linha de força fundamental do nazismo - a defesa daquilo que é nacional e 'próprio dos alemães'. Aí entra a chamada teoria do arianismo", explica.

 

Para saber mais veja a matéria completa: https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-39809236

 

23/07/2018

Última atualização em Seg, 23 de Julho de 2018 14:06